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AEBVB

Mensagem - Julho/2016

"Deus é Pai dos órfãos e juiz das viúvas. Ele faz com que o solitário viva em família."

Salmos 68: 05 e 06 

Promovemos na Cidade da Criança uma tarde cultural, com  apresentações das 120 crianças e adolescentes atendidos no Programa Arte e Vida. Foi nosso primeiro Chá Musical.

Nesta tarde tivemos danças e coreografias, músicas no violão e violino, jiu-jitsu, contação de histórias, brincadeiras de roda e muito mais... 

Vieram os parceiros que nos ajudam com alimentação, com transporte e na manutenção das diferentes oficinas, várias famílias amigas.  

Uma das famílias que estava presente era a família do Samuel, 18 anos, seu irmão Gustavo, 19 e Guilherme, 7 . A mãe Lucimara e o pai Márcio. 

A presença desta família muito nos alegrou, pois sua história desta família tem tudo à ver com a história da Cidade da Criança e quem conta é o próprio Samuel.

“Olá o meu nome é Samuel. Vou contar um pouco da minha história e o que vivi na minha vida. Quando fiquei adolescente é que eu soube como eu fui parar no Vale e entender o porquê. Cheguei ao Vale no ano de 1999 com dois anos de idade e não sei o dia. Fui morar lá porque minha família não tinha lugar para eu ficar e somos seis irmãos.

Eu e o mais velho morávamos na Cidade da Criança. Era muito divertido, pois tinha muita criança, era só brincar.  Lógico, tinha a escola, as lições e a tia Aldenice que cuidou muito bem de mim. Morei com pessoas que eram mais velhos que eu, meninas e meninos. Até que eles eram bem legais.

Falo para vocês que eu não era uma criança fácil de cuidar, pois eu bagunçava muito e de jeito nenhum um queria ficar de disciplina. Eu era um menino que não estava nem aí para o mundo. Na Cidade da Criança é que eu aprendi a respeitar as pessoas e a me comportar.

Foi lá que conheci uma família e com seis anos eu fui para casa deles nas férias. Eles tinham um filho da minha idade. Às vezes nós brigávamos e logo passava. Foi a primeira vez que eu passava umas férias fora da Cidade da Criança, e depois disso eu passava todas as férias na casa deles. Eu adorava ficar lá e quando acabava as férias eu nem queria voltar! Ah! mas tinha que voltar. Fui crescendo e parando de bagunçar e ficando mais educado.

Passaram muitas pessoas boas pela minha vida, tanto no abrigo como nas minhas férias. A minha tia Celia nos levava para cinema, museus, parques. Eu também ia para casa dos meus avós, nas casas das minhas tias e na igreja que minha mãe frequentava. Tudo muito legal. 

Na pré-adolescência o meu irmão se separou de mim, pois fazia muitas coisas erradas e não queria mudar. Eu no começo era assim, mas conheci amigos que trabalhavam no Vale. Era a tia Hosana que me conheceu logo que fui morar no abrigo e o tio Tiago que é também um amigo querido. Eles me ensinaram que a minha vida poderia ser diferente. Não precisava ser errada só porque eu morava no abrigo, porque eu não tinha uma família. Eles falavam que eu poderia mudar minha vida com o estudo. Foi com a ajuda deles que eu sou quem eu sou hoje. Eu agradeço a Deus por ter colocado na minha vida, alguns tios e mães sociais e pais, pois eles é que fizeram a diferença e eu só tenho a agradecer. 

O tempo passou e em janeiro eu estava em férias, mas tive que participar de uma audiência com o juiz. Foi então que o juiz perguntou se eles tinham vontade de me adotar e meu pai falou que sim e logo minha mãe falou que sim. Foi um dia muito feliz para mim e para eles.

Hoje eu posso dizer eu tenho minha família, meus irmãos e vivo muito feliz e agradeço a Deus pelo que Ele fez pela minha vida, pois eu não sei o que seria de mim se eu não tivesse ido para a Cidade da Criança.

Estou no último ano letivo do ensino médio integrado ao técnico em informática, com previsão no futuro de cursar o nível superior em ciência da informática, pois computador é um dos meus hobbies, assim como a  prática de esporte em geral .  

Frequento a Comunidade Carisma onde estou envolvido no grupo de adolescentes, onde nos reunimos com frequência. 

Meus sonhos para o futuro são muitos. Mas o que bate forte no meu coração é ter uma profissão e construir uma família, além de poder ajudar crianças com necessidades assim como o Vale fez por mim.

Agradeço a todos os que cuidaram de mim. Que Deus abençoe a vida de cada um e de suas famílias. Muito obrigado pelo que fizeram por mim. 

Um beijo,

Samuel, hoje Campos Andrade” 

Ler esta história escrita pelo Samuel nos alegra muito o coração. 

Receber esta família na Cidade da Criança hoje, é receber um verdadeiro milagre de Deus. 

E é assim que queremos que a Cidade da Criança seja conhecida. 

Um lugar onde a presença de Deus se manifesta nas crianças que atendemos, nas famílias que acolhem e nas famílias que apoiam este trabalho. 

Queremos ouvir muitas histórias como esta do Samuel. 

Queremos ouvir também histórias de famílias restauradas pelo amor do Pai, que faz com que o solitário viva em família. 

Oramos para que as crianças atendidas no Programa Arte e Vida, também sejam amadas e transformadas como aconteceu com Samuel. 

Ore por estas crianças e adolescentes e venha nos fazer uma visita. 

Continue conosco! Continue com nossas crianças! 

 

Débora Fahur 

Julho 2016