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Carta do Mês - Outubro 2017

Uma criança especial para uma família especial

Em 2009 recebemos na Cidade da Criança o Moisés, com 2 anos e 7 meses de idade. Seus pais o abandonaram e uma tia assumiu a sua guarda. Não conseguindo dar conta da rotina médica e dos cuidados especiais que a criança requeria, o Juiz o retirou da tia e o encaminhou para a Cidade da Criança.

Logo que chegou, as cuidadoras perceberam que Moisés tinha algumas limitações físicas: dificuldade para falar, ouvir, enxergar. Além disto, fazia movimentos com o corpo parecidos com os movimentos das crianças autistas. Aparentemente todo o problema de saúde, era devido a uma desnutrição severa que o acometeu por motivos do abandono e negligência dos pais.

Moisés possuía uma graça especial, logo cativou a afeição das cuidadoras e das pessoas que visitavam a casa.

Num certo dia, recebemos na Cidade da Criança, um grupo de pessoas para visitar e distribuir brinquedos para as crianças. Uma das famílias do grupo, ao ver  Moisés imediatamente se afeiçoaram a ele e chegaram a dizer que haviam se apaixonado por aquela criança. À partir de então, Moisés não era mais uma criança sozinha e abandonada. Havia uma família que já tinha dois filhos e estava disposta a investir todos os esforços para conseguir a sua adoção. Retornaram em outras visitas, o cobrindo de mimos e carinhos.

A família deu entrada com os documentos para a adoção, mas infelizmente foi  um processo complicado e lento. A primeira resposta foi:  “Existe um cadastro de famílias interessadas em adoção, devemos  aguardar, pois se houver uma outra família interessada em Moisés, terão a prioridade, pois se cadastraram anteriormente.”

Para tristeza da família e do Moisés, o juiz da Vara da Infância e Juventude, determinou a suspensão das visitas ao Moisés, pois o contato e o afeto recebido, poderia interferir e atrapalhar o processo de adoção de uma possível família que já estivesse cadastrada.

As cuidadoras percebiam que todas as visitas de pessoas  interessadas em  adoção, procuravam por um perfil “diferente”. Cada vez ficava mais claro, que Moisés era uma criança que precisava de cuidados especiais e aquelas famílias não estavam dispostas a se submeter a esta situação.

Um ano se passou,  durante este período de espera a família continuou em oração, colocando seu pedido diante de Deus. Eles amavam o Moisés e estavam dispostos a irem até a finalização do processo de adoção.

Após um ano, e com muita alegria, finalmente receberam a liberação do Forum para retomar as visitas ao Moisés. Felizes com esta possibilidade, perguntaram: “Por que somente  agora podemos dar continuidade na adoção? ” A resposta foi: “Entendemos que esta criança precisará de cuidados especiais por toda a sua vida, vai exigir dos pais adotivos muita dedicação, amor e paciência e nós percebemos que vocês estão prontos para esta tarefa. ”

A mãe adotiva de Moisés se afastou do emprego por três anos, para se dedicar totalmente aos cuidados físicos e emocionais da criança e também para favorecer a adaptação a nova família.

Hoje Moisés já está com 11 anos, é um menino lindo e alegre. Ainda exige cuidados especiais. Os irmãos de Moisés hoje são adultos e expressam o desejo de também adotarem uma criança no momento oportuno.

Esta família mais do que especial, é a garantia de que o direito a proteção, a convivência em família e ao afeto estão sendo garantidos ao Moisés.

Esta família especial para uma criança especial é o cumprimento da Palavra de Deus que diz:

Pai de órfãos é Deus. Ele faz com que o solitário viva em família. Salmos 68; 5 e 6.

Que Deus possa continuar levantando famílias para acolher e abençoar crianças amadas.

Que o Senhor continue abençoando a sua vida e a sua família!

Continue conosco! Continue com nossas crianças!

Débora Fahur

Diretora de Programas Sociais

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